7 de novembro de 2014

Falemos de dinheiro


Perguntam-nos, com frequência, o que vemos como modelo financeiro da Montis.

O modelo está ilustrado acima e, mais uma vez, copiámos e adaptámos, não o inventámos.

Essencialmente queremos fugir da armadilha que nos transformaria numa associação de projectos em que a principal preocupação seria garantir o ordenado da sua estrutura técnica, uma armadilha poderosa e atractiva. Essa é a forma mais rápida de crescimento para garantir recursos razoáveis.

O problema essencial dessa estratégia, que é legítima e tem bons e maus exemplos de aplicação, é que a variação dos recursos disponíveis com origem em projectos é muito grande, com altos, em que há recursos para tudo, e baixos em que pode não haver recursos, nem para o essencial.

Por isso perseguimos uma estrutura de financiamento que sabemos ser difícil e que está esquematizada acima:

1) as quotas dos sócios devem pagar o funcionamento essencial da Montis, tal como as actividades, por serem factores que dependem essencialmente do nosso desempenho e da capacidade de fazermos coisas que as pessoas achem úteis e estão dispostas a apoiar;

2) Os projectos devem essencialmente apoiar o crescimento da Montis (a campanha de crowdfunding, para este efeito, é essencialmente um projecto), criando valor para a associação e para os associados;

3) As doações devem ser criteriosamente orientadas para actividades de maior valor acrescentado, mas não contínuas, visto serem a componente mais volátil do financiamento da associação. No caso da Montis, isso significa que devem, tanto quanto possível, orientar-se para a compra de terrenos.

A dificuldade central de uma associação que começa, e que tem a convicção de que esta estrutura de financiamento é a ideal, é que os actuais 96 sócios estão muito longe de pagar um ordenado. E essa é uma condição mínima para se poder estar disponível para os sócios, cumprir as obrigações mínimas de prestação de contas e informação a que os sócios têm direito e procurar responder a oportunidades de crescimento. Os dirigentes são todos voluntários: às vezes têm tempo, outras vezes não.

Recorremos a um apoio inicial do IEFP para garantir a possibilidade de pagar um ordenado até ao fim de 2015 (na verdade um pouco mais), conscientes de que o tempo que ganhámos com esse apoio (a que se somou o projecto que temos com a Câmara de Vouzela) tem de ser usado no crescimento do número de sócios e na realização de actividades que demonstrem o nosso compromisso com a gestão para a conservação e também com os sócios.

É irrealista pensar que chegaremos rapidamente aos 750 sócios de que precisamos (com quotas pagas) para pagar o funcionamento da Montis, por isso procuramos activamente soluções intermédias nas oportunidades que existem, mas também nas que inventamos (como a campanha de crowdfunding que decorre) para ganhar o tempo de que precisamos para ter a estrutura de financiamento que gostaríamos de ter e está ilustrado acima.

É para ter essa estrutura de financiamento, o mais rapidamente possível, que trabalhamos. Mesmo sabendo que razão tinha o John Lennon: "Life is what happens while you are busy making other plans".

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