23 de agosto de 2015

A Montis e o voluntariado


A Montis começou tendo uma prioridade absoluta: encontrar os primeiros terrenos onde começar a aplicar as suas ideias de gestão para a conservação e valorização da biodiversidade.
Resolvida num primeiro momento essa prioridade absoluta (mesmo gerindo agora cerca de 150 hectares continuamos a ter esse objectico bem no centro do que fazemos), passámos ao problema de encontrar e aplicar recursos para a gestão que fosse sendo definida para cada terreno.
O voluntariado tem sido para nós uma preocupação constante.
Não porque confundamos voluntários com mão de obra barata, longe disso, achamos até que o voluntariado é mais caro que o trabalho profissional porque os voluntários são menos eficientes que profissionais (e dizer isto não é desmerecer o trabalho voluntário, é apenas ser lúcido) e porque o custo de comunicação e gestão é incomparavelmente superior.
O que nos faz insistir no voluntariado é a convicção de que a experiência de gestão directa, ver como se faz, pôr a mão na terra e avaliar resultados, faz parte do envolvimento que queremos ter com os nossos associados.
Começámos lentamente, com um sábado de voluntariado em cada mês (o segundo sábado de cada mês) normalmente nos nossos terrenos de Vouzela, mas aqui e ali trabalhando para outros projectos de outras organizações.
Os resultados têm sido muito bons, têm sido números pequenos de pessoas, tipicamente entre as três e as seis, que têm feito um trabalho excelente e muito útil. Parece-nos que as pessoas que têm participado também têm gostado.
Ainda não conseguimos dar o passo seguinte, organizando acções de mais de um dia, para aplicar nos terrenos de São Pedro do Sul e Arouca, mas sabemos que lá chegaremos, mesmo que não saibamos como, ainda.
Na verdade, para nós, trabalhar com voluntários tem o mesmo sentido que mandar todos os meses informação sobre como está a evoluir a associação, tem o mesmo sentido de procurar dar transparência ao que fazemos, tem o mesmo sentido de procurar juntar nas Assembleias Gerais mais gente através de programas que possam cativar as pessoas, tem o mesmo sentido dos colóquios que temos organizado: queremos ser uma associação de sócios, sabendo que haverá sempre uns mais activos que outros, e que esses variam ao longo do tempo.
Temos horror à ideia de uma associação que vai sendo absorvida pelas preocupações de duas ou três pessoas que, num determinado momento, trabalham ou se empenham mais na associação, seja porque motivo for, perdendo-se o contacto com os sócios.
Ter voluntários connosco é ter pessoas informadas sobre os problemas da gestão e que nos questionam ou que nos dão os parabéns, mas que não são indiferentes ao que se vai fazendo.
Os voluntários trabalham, e bem, produzem, e bem, mas verdadeiramente o que nos motiva é conseguir envolver pessoas comuns e diferentes na gestão concreta da biodiversidade.
Venham daí, uma vez por outra, porque não se arrependerão.

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