11 de janeiro de 2017

Aprende-se fazendo

Nos próximos Sábado e Domingo  vamos ter a segunda oficina de engenharia natural.
Ao contrário do inicialmente previsto, o alojamento fornecido não será em tendas, mas nos bungalows do Parque Biológico do Pisão, não em condições ideais, mas em condições bem melhores que as inicialmente previstas.
Se era do frio das tendas que tinham medo, ainda vão a tempo de perguntar se há vagas disponíveis: reduzimos o número limite de inscrições por acharmos que mais valia uma formação com um número mais reduzido de pessoas, permitindo um acompanhamento mais próximo do trabalho, depois da sessão em sala com que arranca a oficina, mas se não demorarem muito pode ser que ainda haja lugar.
Em grande parte esta melhoria de condições é possível pelo apoio da Desafio das Letras, que paga cerca de metade desta oficina. A Desafio das Letras, uma pequena empresa de serviços que tem também apoiado a Montis de outras formas (está neste momento a trabalhar em duas candidaturas para a Montis, pro bono), tem uma política de responsabilidade ambiental que a faz entregar 1% da facturação de alguns dos seus serviços a ONGs e projectos de conservação em que se reveja. É com esses 1% que está a suportar cerca de 50% dos custos da oficina, permitindo-nos dar melhores condições aos formandos.
Vamos intervir nesta linha de drenagem natural, as giestas que se vêem no canto inferior esquerdo já fazem parte da preparação da oficina.
Aproveitámos o voluntariado de Domingo passado, dia 8, para avançarmos na preparação da oficina, quer na afinação do local de intervenção, quer na preparação de materiais, quer ainda a tentar encontrar soluções para que os formandos tenham as melhores condições possíveis de trabalho e aprendizagem.
Aqui estávamos a testar um abrigo mínimo para o almoço no campo, sobretudo se estiver a chover. Já ao fim do dia as refeições são quentes, também no Bioparque do Pisão, para permitir conforto e conversa descontraída, num sítio aquecido, o que manifestamente não seria possível no almoço, dadas as distâncias a percorrer.
Depois de termos feito o que nos pareceu razoável para a preparação da oficina, fomos dar mais uma volta na propriedade sob nossa gestão, para discutir intervenções futuras.
Desde o processo de aprovação do fogo controlado que nos andava na cabeça uma objecção do técnico do ICNF: o problema da afectação da regeneração de pinhal. Discordamos dessa objecção no contexto da autorização do fogo controlado, ela foi ultrapassada, mas isso não nos impediu de estar mais atentos ao assunto.
Por isso fizemos este primeiro ensaio: numa área de regeneração mais densa, admitimos que valia a pena intervir para aumentar a velocidade de recomposição do pinhal. Tal como nas intervenções nos nossos carvalhais, a opção foi no sentido de quebrar a continuidade vertical dos combustíveis, mesmo sabendo que enquanto no carvalhal o fogo não é um problema de maior (os carvalhos voltam a rebentar, em grande parte, ao contrário do pinheiro), no pinhal o risco é substancialmente maior.
Não está na vocação da Montis gerir pinhal, mas numa situação como esta, achámos que faria sentido aumentar a diversidade, aumentar a capacidade de gestão dos combustíveis e, eventualmente, chegar o mais rapidamente possível a uma situação em que a resinagem pudesse pagar parte dos custos de gestão da biodiversidade.
É uma área pequena, é um ensaio que estamos a avaliar, mas encaixa na lógica da Montis: gerir a partir do que está no terreno, de maneira a obter mais diversidade e sustentabilidade.
Foi um dia de voluntariado proveitoso e será, com certeza, útil o que resultar da oficina de engenharia natural (antecipando os fins de semana voluntários previstos no crowdfunding e que ainda não conseguimos executar).
É bom aprender a fazer e fazer aprendendo. Pelo menos nós temos gostado até agora.

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