No dia 5 de setembro, tivemos uma nova edição da atividade “Das Pedras aos Carvalhais”, incluída no programa “Ciência Viva no Verão 2026”, em parceria com a Câmara Municipal de Vouzela e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. A atividade incluiu uma viagem ao longo de séculos (ou milénios) pelo Parque Natural Local Vouga-Caramulo, em Vouzela, na zona da Lapa de Meruje.
A receção aos 10 participantes incluiu a apresentação da MONTIS e da componente arqueológica que iríamos visitar mas não só: o Daniel Branco, da Câmara Municipal de Vouzela, ofereceu a todos um mapa do megalitismo do concelho, onde estão assinaladas todas as ocorrências conhecidas, incluindo também explicações e esquemas sobre as mais relevantes.
Seguimos depois para a mamoa que cobre parcialmente a anta ou dólmen da Lapa da Meruje, onde o Daniel nos explicou o seu contexto histórico, desde a sua construção como local de sepulcro, há cerca de 6 mil anos (4 mil anos AC), até à sua utilização mais recente como abrigo de pastores ou de agricultores, bem como o que o Município de Vouzela, com o apoio de algumas universidades, tem feito para recuperar e proteger estes monumentos.
De lá seguimos até à escavação arqueológica do Tapado das Casas, local usado sazonalmente, durante o verão, quando os pastos em torno da aldeia escasseavam e os da montanha estavam frescos e acessíveis. Aí pudemos observar algumas das casas já objecto de escavação, cerca de metade das que existirão naquela zona, e o Daniel foi referindo o que tinha sido encontrado em cada local, dando destaque à casa mais a Sul que, por ter ardido e o telhado ter tombado, continha um espólio bastante revelador das atividades que por ali aconteciam.
A segunda parte da visita levou-nos aos carvalhais. Do lado Norte da albufeira de Meruje, através de um caminho que abrimos no giestal, recuperando um caminho antigo, fomos até Dumação, uma das propriedades que a MONTIS adquiriu, em 2015, em Carvalhal de Vermilhas. Aí iríamos ver os carvalhos maduros que sobreviveram ao fogo de 2017 e explicar o trabalho da MONTIS para recuperar a biodiversidade na área de carvalhal que ardeu.
Falámos do tabuleiro para gaios, de caixas-ninho, do processo de compra das propriedades e da gestão efetuada pela MONTIS para ajudar os carvalhos que arderam a recuperar. E ainda demos a provar um doce regional, o folar de Vouzela.
Esta atividade integrou parte do programa do Noite e Dia no Carvalhal, um fim-de-semana de voluntariado, que a MONTIS realiza anualmente, e que inclui também várias atividades de lazer.
Agradecemos ao Daniel, ao Município de Vouzela e à Fábrica por nos terem apoiado e a todos os participantes por terem estado presentes, esperamos poder contar convosco em futuras atividades da MONTIS.
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