8 de dezembro de 2014

Um longo agradecimento


Os terrenos em causa (ou parte deles) numa fantástica fotografia de João Cosme

Os posts deste blog raramente são assinados. Este será um dos casos raros, porque me vincula a mim, mesmo como presidente da Montis, mais que à globalidade da associação.

A campanha de subscrição pública para compra de terrenos que lançámos (e que continua por mais uma semana aqui: http://ppl.com.pt/pt/prj/sermos-donos-disto-tudo) está já em mais de 100% do objectivo, ou seja, pode considerar-se como tendo tido êxito.

Independentemente do esforço que faremos ao longo desta semana para que esse êxito seja o maior possível, abrindo caminho para projectos futuros não só da Montis, mas de outras organizações dedicadas à conservação da natureza, pareceu-me que seria justo fazer agora alguns agradecimentos a quem contribuiu para que este resultado tenha sido possível.

Em primeiro lugar queria agradecer aos críticos das opções feitas. A crítica, às vezes profunda, às opções da Montis em geral, às opções por esta solução para a compra dos primeiros terrenos da Montis e mesmo à prioridade quase absoluta dada à compra de terrenos nesta fase inicial da Montis, foi fundamental para que fizéssemos opções mais ponderadas, que dessem melhores respostas às dificuldades apontadas, que ajudassem a criar confiança, a base essencial para que a associação seja viável. E ajudou-nos também a valorizar mais a divergência, para que não nos deixemos ficar em posições cómodas e fáceis. Por vezes pagou-se um preço elevado na degradação de relações pessoais mas, estritamente do ponto de vista da associação e da campanha para a compra de terrenos, ganhou-se muito com esta crítica que nos obrigou a fazer melhor;

Em segundo lugar um agradecimento aos mais de duzentos doadores, aos muitos mais que se entusiasmaram com a campanha e a divulgaram e aos que ainda vão fazer crescer a campanha até ao fim. O entusiasmo que vi em muitos comentários (os públicos e os privados), a disponibilidade para dar, a confiança numa associação que, objectivamente, até agora não fez nada, foi muito bom. Contar com as pessoas foi a decisão mais certa que tomámos logo nas definições iniciais do que se pretenderia com a associação e esperamos que o principal resultado da campanha seja mesmo a nossa capacidade para contar com mais gente, no futuro;

Em terceiro lugar, um grande agradecimento ao João Rodrigues, o nosso estagiário escolhido num processo aberto e público, com base num anúncio que prometia pouco pagamento e muitas obrigações. A campanha teria sido muito, mas muito mais difícil sem a sua atenção permanente, disponibilidade e rapidez de resposta às pessoas. Sim, é o seu trabalho, é pago para isso e tem essa obrigação, mas não só cumpriu exemplarmente as obrigações, como esteve sempre disponível muito para lá das suas obrigações. Sempre tranquilo e satisfeito, acreditando mais no êxito da campanha que qualquer um de nós;

Jornalistas, blogs, organizações que, sem qualquer interesse ou ligação à Montis, se interessaram por saber o que estávamos a fazer e nos ajudaram, quer divulgando, quer perguntando, quer organizando uma iniciativa aqui ou participando noutra acolá, quer mesmo contribuindo com doações. Um grande, grande obrigado;

Bem-haja aos que inventaram soluções e iniciativas (desde a página de facebook da organização, até aos certificados de “co-propriedade”) que foram grande parte do êxito da campanha. Grande parte do que planeámos falhou, e grande parte do que funcionou melhor veio das sugestões que nos foram sendo feitas já durante o processo. Muito obrigado por nos darem ideias e, nalguns casos, por nos ajudarem a concretizá-las, como quando alguém se oferece para desenhar o certificado;

Agradeço aos que nos foram dizendo que se estivéssemos em risco de morrer na praia, sempre poderiam fazer um esforço final. Obrigado pelas noites de sono tranquilo quando o tempo começou a passar e o fluxo inicial de entrada de doações a diminuir. É sempre bom saber que está uma rede por baixo, quando se resolve correr riscos no trapézio. É certo que a rede tinha limitações, nada estava garantido, mas ajuda muito saber que em caso de necessidade, se não estivéssemos muito longe do objectivo, haveria alguma disponibilidade adicional de reserva;

E obrigado aos membros dos órgãos de gestão da Montis (Direcção, Conselho Fiscal e Mesa da Assembleia Geral), sempre presentes, naturalmente mais uns que outros, e sempre a puxar pela carroça.


henrique pereira dos santos

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