"E tu e eu o que é que temos que fazer?"


Este slide, com uma magnífica fotografia de João Cosme, faz parte da apresentação original que fizemos quando começámos a Montis e dava conta de onde pretendíamos estar três anos depois do lançamento da associação.

Dois anos depois, um ano antes do prazo para que tínhamos esta visão, vale a pena olhar para cada um dos pontos ali enunciados.

A previsão de 30 hectares em gestão directa revelou-se uma previsão conservadora. Hoje temos cerca de 150 hectares em gestão directa, dos quais cerca de 5,5 hectares são propriedade da Montis, 100 hectares são um baldio e 50 são de uma celulose. É verdade que temos de ser rigorosos no que definimos como gestão directa porque correspondem a diferentes situações: a) os nossos 5,5 hectares têm vindo a ser geridos, com base num modelo de voluntariado que revela sinais de cansaço, e há resultados visíveis para mostrar. Faremos com certeza um pic-nic nestes carvalhais um dia destes, para que possamos ver e discutir opções; b) os 100 hectares de baldio vão ser objecto das primeiras acções de gestão neste fim de semana, integradas num modelo diferente de intervenção, e temos um horizonte definido de captação de recursos para essa gestão; c) para os 50 hectares da Altri ainda temos caminho a fazer para captar recursos para a sua gestão, portanto, até agora, temos gerido através da não gestão.

A previsão de 200 sócios também parece ter sido uma previsão conservadora. No fim do processo de exclusão de sócios com a quota de 2015 por pagar, a que se juntam os sócios que decidiram deixar de o ser (onde se incluem pessoas que verdadeiramente se desiludiram com a Montis, mas também outras que simplesmente mudaram de vida e, mesmo tendo algum carinho pela Montis, optaram por neste momento não estar na associação) estaremos com cerca de 330 sócios. É um bom resultado.

Os 15 mil euros de orçamento anual não anda muito longe do orçamento que temos, embora com uma distribuição ligeiramente diferente do previsto: conseguimos um pouco mais em doações, em especial por via do crowdfunding mas não só, conseguimos um pouco menos em quotas porque em parte são canibalizadas pelo crowdfunding, de que são uma das recompensas, não estamos longe dos 3 mil euros de serviços prestados e estamos um pouco acima dos mil euros de visitação e produtos (na verdade, até ao momento, apenas visitação).

Investimos 10 mil euros, como previsto, embora não numa base anual, e temos em carteira alguma folga proveniente do crowdfunding para quando apareçam boas oportunidades para compra de terrenos. Preferimos ser cautelosos neste ponto.

Criámos um emprego directo, temos feito os dois colóquios por ano (o próximo será a 14 de Maio, em Vouzela, sobre gestão de áreas protegidas locais), temos um programa de voluntariado em curso, mas com dificuldades relevantes, e não fomos ainda capazes de fazer a ligação à academia para termos dois estágios anuais.

Não estamos mal, face ao que previmos, temos consciência de que beneficiámos de um entusiasmo inicial bastante mobilizador e que, neste momento, estamos num tempo de maré vaza, com menos capacidade de mobilização, com uma entrada mais lenta de novos sócios, com problemas de gestão de voluntariado e mesmo com menor capacidade de envolvimento das pessoas que têm estado a puxar a carroça da associação.

Sabemos bem que o nosso maior calcanhar de Aquiles tem estado na capacidade de gestão, havendo mesmo uma discussão interna sobre prioridades: devemos expandir as áreas sob gestão, para abrir novas oportunidades de gestão, ou devemos recuar e concentrar mais esforços no que já hoje gerimos?

Daqui a um mês vamos lançar uma nova campanha de crowdfunding, centrada no reforço da capacidade de gestão, com o objectivo concreto de beneficiar as presas selvagens do Lobo, contribuindo para a sua conservação e para a diminuição da conflitualidade social associada à sua presença.

A meio de Junho, no fim dessa campanha (e a seis meses das eleições de novos corpos sociais da Montis), será a altura de avaliar resultados e definir os passos seguintes.

Neste momento é fácil estar satisfeito com os resultados conseguidos e é fácil estar insatisfeito com as nossas fragilidades de gestão.

henrique pereira dos santos

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