30 de abril de 2016

E que garantias me dão?


Esta fotografia de Teresa Domingues é de um passeio da Montis, não nos terrenos a que diz respeito a campanha de crowdfunding a decorrer, mas próximo deles.

Este post procura responder a uma pergunta perfeitamente razoável e legítima: "De quem são os terrenos em que vão intervir e que garantias tenho de que as medidas de gestão não serão revertidas?".

Os terrenos são baldios, isto é, do povo das aldeias envolventes, e a sua gestão, em cem hectares, foi cedida à Montis por dez anos.

Na nossa primeira campanha de crowdfunding o objectivo era a compra de terrenos pela Montis, garantido a sua afectação permanente à conservação da natureza. Nesta campanha o objectivo é financiar um programa de gestão num terreno que não é da Montis mas cedido por dez anos.

Nesse sentido é inegável que não há possibilidade de dar garantias de que as medidas de gestão adoptadas nesses dez anos não podem vir a ser revertidas posteriormente. Isso é absolutamente claro.

A Montis tem consciência clara desta questão e a razão pela qual, mesmo assim, investe nestes terrenos (e se lança na campanha de crowdfunding que se pode ver aqui) assenta em alguns pressupostos:

1) Se é verdade que as garantias para o futuro são menores, também não é menos verdade que o impacto durante os dez anos é muito mais alargado: comprámos 5,5 hectares e esta cedência de gestão é de 100 hectares;

2) A maior garantia que podemos ter de continuidade do modelo de gestão assente na valorização do património natural é demonstrar a sua utilidade e a sua sustentabilidade. Por isso a campanha que fazemos se centra nestes dois aspectos, procurando envolver pessoas, ter resultados visíveis de biodiversidade, dar um sentido social a terrenos que hoje são completamente marginais e, tanto quanto possível, ter um efeito económico positivo para as aldeias envolventes;

3) O modelo de intervenções que preconizamos procura ter um efeito de longo prazo, por isso assenta em técnicas de engenharia natural e se foca na criação de solo e fertilidade como base para um desenvolvimento mais rápido da vegetação, aspectos que mais dificilmente são revertidos posteriormente porque o seu efeito se mantém por muito tempo, aumentando a produtividade primária, a diversidade e a riqueza instalada.

Se, como esperamos, conseguirmos trazer gestão com resultados de conservação, sociais e económicos durante dez anos, tendo a valorização do património natural como motor e suporte dessa gestão, não só o mais provável é a renovação dos acordos que temos, como a probabilidade de reprodução e disseminação da ideia de gerir a partir da valorização do património natural aumenta enormemente, influenciando os modelos de gestão de muito mais território que conseguiríamos fazer apenas a partir dos nossos terrenos.

Há riscos de reversão? Há. São grandes? Não nos parece. Os riscos que se correm podem resultar em oportunidades para o futuro?

Pensamos claramente que sim, e se pensar o mesmo, não se esqueça de que não há contribuições demasiado pequenas para apoiar esta ideia, arriscada, é certo, mas que abre oportunidades para romper a fatalidade da ausência de gestão e marginalidade para milhares de hectares em Portugal.

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