9 de abril de 2016

Levar gestão para onde faz falta


A belíssima fotografia de Maria Ladeira (produzida no contexto do concurso de fotografia de natureza sobre o Parque Natural Vouga/ Caramulo organizado pelo festival Cinclus) é um bom exemplo negativo do que o título deste post pretende traduzir e do que é a essência da actuação da Montis.

E é um exemplo negativo do que diz o título e do que se pretende fazer na Montis, exactamente porque um carvalhal maduro precisa pouco de gestão. Quando um dia tivermos a gestão de um carvalhal assim, o que é só uma questão de tempo, traremos gestão orientada para a valorização da biodiversidade, mas a intervenção sobre o terreno pode ser mínima.


Pelo contrário, este terreno que é o objecto de acordo de gestão que temos em Carvalhais, São Pedro do Sul, é um terreno que perdeu a utilidade económica que lhe foi reconhecida nos últimos séculos - produzir fertilidade para a terras agrícolas através de um pastoreio de percurso - e hoje vai evoluindo sem rumo, num processo que tem aspetos positivos, como seja a recuperação dos sistemas naturais, incluindo o solo, mas tem aspectos socialmente muito negativos, como um padrão de fogos severos e extensos que torna difícil dar-lhe sentido social e económico.

É o que facilmente se chama um terreno marginal, tecnicamente, pastagens pobres sem valor económico e social reconhecido, periodicamente percorrido por fogos que atrasam a chegada a matas suficientemente maduras para que o ensombramento das copas possa fazer o controlo dos matos.

Trazer gestão para este terreno, fazer a demonstração de que é possível reintegrar social e economicamente este terreno, dando-lhe valor através da biodiversidade e do envolvimento das pessoas comuns, é o essencial da campanha de crowdfunding que a Montis vai lançar no próximo dia 15 de Abril.

Vai ser uma campanha muito difícil para os padrões portugueses dos projectos de crowdfunding, mas achamos que vale a pena o esforço de trazer para estes territórios marginais uma hipótese de os gerir sustentavelmente, criando biodiversidade, riqueza e emprego onde tudo isso faz falta.

É nessa campanha que estaremos empenhados nos próximos dois meses.

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