17 de fevereiro de 2017

Segunda feira, às nove e meia da manhã


Ontem de manhã os trabalhos de abertura da faixa de contenção seguiam a bom ritmo e o resultado é parcialmente ilustrado por esta fotografia do terreno.
Quem tem dúvidas, quem tem curiosidade, quem é um entusiasta do fogo controlado tem na Segunda Feira, às nove e meia da manhã, a oportunidade de estar no baldio de carvalhais e ver e perguntar e discutir esta opção de gestão.
A fotografia permite ilustrar bem os dilemas dos gestores de territórios como aquele que nos está entregue no baldio de Carvalhais: giestas deste tamanho resultam muito mais rapidamente num fogo de Verão que num carvalhal maduro ou num pinhal produtivo.
Mesmo que se resolvesse plantar tudo com carvalhos (já vamos à questão dos recursos), era incomparavelmente mais elevada a probabilidade de haver fogos que de se chegar a um carvalhal maduro.
A objecção clássica é a de que se queimamos, então é que não chega mesmo a carvalhal, mas é uma objecção que não tem em atenção quer a forma como a vegetação arde com fogos frios, quer a evolução após fogo. E sobretudo que este fogo controlado não visa obter um resultado, visa criar oportunidades de gestão futuras.
A Montis não vai queimar um dos lados desta faixa de contenção do fogo para ter pastagens ou para manter matos baixos, vai fazê-lo para ter quatro a cinco anos de intervenções que preparem o terreno e a vegetação para o fogo seguinte, com o máximo benefício para a conservação. A seu tempo se verá se faremos um segundo fogo que permita gerir o crescimento dos matos, poupando a regeneração das árvores que entretanto existam (por regeneração natural ou semeados ou plantadas).
É que limpar mato desta forma, a braço e máquinas, custa qualquer coisa, a preços de mercado, como mil euros por hectare, ou seja, para os 100 hectares que gerimos, cem mil euros. Todos os cinco anos.
Ao limpar com fogo reduzimos o custo em cerca de cinco a dez vezes, e falo-emos a um custo entre os 100 e os 200 euros por hectare, com a vantagem dos nutrientes ficarem no terreno em formas rapidamente disponíveis para as plantas.
Não o faremos nos 100 hectares, iremos fazê-lo em vinte hectares, que pensamos que podem ter um efeito real sobre os restantes 80, quando vier um fogo de Verão.
Se, entretanto, formos fazendo intervenções para aumentar a velocidade da recuperação das linhas de água, isso significa que sendo certo que o mato retome a dominância em quatro a cinco anos, não é menos certo que estamos a construir um sistema de corredores em que mais rapidamente as árvores se impõem, criam ensombramento e, consequentemente, criam descontinuidades de combustíveis essenciais para a gestão do fogo no futuro e com fortes ganhos de biodiversidade.
Podemos estar errados, podemos não ter os resultados que queremos, mas seguramente não deixaremos de tentar trazer gestão para onde ela faz falta, usando os recursos efectivamente disponíveis, sem perder tempo com soluções que parecem melhores, mas para as quais não existem recursos disponíveis.

2 comentários:

  1. Humm, muito embora a explicação da necessidade desta opção parecer lógica, fico sempre a pensar: mais uma fogueira, mais CO2 para a atmosfera. Bem sei, é um mal menor, mas não deixa de ser um mal...
    Vítor M

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  2. O fogo, como o CO2, são elementos naturais. A diferença entre um remédio e um veneno é a dose, neste caso, a forma como arde, porque arder, arderá sempre, independentemente das nossas opiniões sobre o assunto.

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