3 de maio de 2017

Aprender, sempre com os pés na terra

Organizado por Teresa Maria Gamito (no próximo dia 20 de Maio será João Ruano a organizar um passeio em Mogadouro), fomos ter com o nosso sócio Francisco Almeida Garrett, para ver opções de gestão da sua unidade produtiva dentro da Rede Natura.
Ainda antes da propriedade, o Francisco chamou-nos a atenção para diferentes modelos de gestão nos montados da região, em especial no que diz respeito ao controlo de matos, parando nas propriedades que íamos atravessando para ver os resultados de diferentes acções de gestão.
Os fogos são um dos problemas sérios para os produtores de cortiça, sendo por isso uma preocupação constante.
A solução mais vulgar, em especial quando a carga de pastoreio é baixa, é o uso de grades de discos que, se é verdade que destroem o mato nos primeiros anos, expõem excessivamente o solo, do que resulta a degradação da sua estrutura, a diminuição da matéria orgânica disponível e a diminuição da biodiversidade, com a cobertura de solo, ao fim de dois ou três anos, a ser dominados por sargaços.
Já dentro da propriedade que fomos visitar (e onde fomos muito bem tratados, com um almoço de se lhe tirar o chapéu, muito bem cozinhado) vimos um modelo alternativo, com ou sem gado, mas em que não entra a grade de discos, apenas se usam corta-matos, com manutenção do material cortado no local.
A diversidade é muito maior, o solo vai melhorando e recuperando de centenas de anos de pastoreio agressivo, as matas da linhas de água são acarinhadas e a propriedade vai produzindo riqueza para os mercados (cortiça, gado, luzerna, azeite, visitação, caça) mas também riqueza natural, com montados em óptimo estado, uma grande diversidade florística e uma riqueza faunística que podemos ver com os nossos olhos, incluindo os corços e lebres que resolveram cruzar-se connosco.
Para além da zona de contacto de montado de sobro e azinho, ainda encontrámos belíssimos carvalhos cerquinhos junto às linhas de água.
Embora tivéssemos levado a joelette, e até feito uma demonstração no fim, desta vez a mobilidade reduzida foi resolvida com um pequeno veículo eléctrico, que foi connosco para todo o lado.
Para o fim estava reservada a visita à experiência que está a ser feita há catorze anos, com sobreiros de regadio.
Seguramente da experiência resultarão montados diferentes dos tradicionais, mas vale a pena ir aprendendo, tendo informação e fazendo opções adaptadas a cada circunstância.
Seguramente conseguimos o que procuramos ter nos passeios da Biodiversidade, como este: boas paisagens, boa informação e boa companhia.
Obrigado a toda a família Almeida Garrett que nos recebeu muitíssimo bem, e obrigado à Teresa pela organização.
Fotografias de Luís Côrte-Real

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